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Destaques

Irresolutos adeuses de lá

          Sei que riria bastante quando visse o seu túmulo com grandes iniciais e interrogações incertas de seu lugar, mas bem que poderia ter sido mais considerativo com o coração de seu melhor amigo.    Espero que tenha pensado na  melancolia latente que sua ausência foi criando em todo mundo, as incertezas diárias que emolduravam a sua falta e, embora tentássemos escondê-la no nosso dia dia, escapuliam aos ares e tirava-nos o fôlego.      Até que um dia, dos dias lá de trás, decidimos colocá-lo a sete palmos na terra e levá-lo a outro mundo. Eu não fui naquele dia, por mais que até o último minuto minha mãe queria me arrastar até ver "você" indo embora.      Espero que não se sinta mal por isso, não sei o que me deu quando a sua partida pareceu um pouco mais indeterminada do que todo mundo achava, tive medo de sentir que talvez não estivesse tão são e salvo ou tão em pé, por isso que me dei ao máximo de viver ...

A ausência de quem nunca esteve na minha vida

     Já teve momentos em que você era a maior pessoa do mundo, o quem todo mundo ama, que não tem absolutamente nada que você possa pensar como problema, para apenas cair para perceber a realidade? Eu com certeza estou me repetindo, eu sei que já escrevi sobre isso antes, mas mesmo quando acontece é sempre doloroso.

    Quando acontecem muitas coisas "boas" progressivamente nós sempre pensamos que estamos indo a uma vida sem problemas,  pois nós achamos que apenas por um único abraço que nossos pais nos amam, que por ele te mandar um emoji de coração que ela(e) vai se importar com você chorando a frente dela, são confianças que criamos porque nós queríamos que tivéssemos, que mesmo percebendo antes que elas nunca deviam existir, ainda repetimos o erro de confiança por puro sentimento, puro amor, pura carência.

    Fiz muitas coisas que eu genuinamente muito boas, fui ser alguém que ajudou pessoas, recebi inúmeros elogios por textos meus, elogios sinceros todos? Obviamente que não, mas sinto que muitos foram, apresentei na minha escola um texto que me senti orgulhoso de apresentar (por mais que de 500 alunos 15 devem ter dado bola ao texto), e senti que tinha vencido problemas familiares, senti que tinha tudo na mão e mais um pouco. Mas a realidade sempre dá um tapa na cara, e nesse caso um murro, para te acordar de volta do seu sonho.

    Não ser amado por alguém em um relacionamento é algo que quebra muita gente, mas não ser amado por ninguém em uma família, ser o orgulho da mãe literalmente para todo mundo menos para o próprio filho, fingir estar falando de outra criança enquanto está falando do filho para "desabafar" sobre ele, de como que a maior prova de ela ser amada é por moradia e comida. Isso dói e dói pra caralho, o amor estar mais em mensagem do que em pessoal doí para um caralho.

    De não ter o mínimo de reconhecimento por o que eu fiz, de uma medalha por exemplarismo acadêmico até textos que eu sinto muito orgulho de fazer, apenas com um "ah que legal" e nada mais, ser completamente abandonado por tudo e todos por muito tempo da minha vida, que chegou ao ponto de amigos completamente escrotos durante muito tempo foram o suficiente para saciar parte de minha carência e criar mais afeição que qualquer um da minha família.

    Quando o namorado da minha mãe tem mais orgulho e vontade de ajudar em um projeto meu do que a porra da minha mãe me doí, e ter que viver pelo menos 368 dias, alguém que diretamente disse ter ligado mais a minhas irmãs durante a infância, alguém que ao ver o filho dela o xingando gritando, absolutamente triste com ela não demonstrar nada, felicidade, raiva, tristeza, dó, amor, absolutamente nada.

    Eu não queria que fosse um desabafo, eu queria escrever algo mais subjetivo e não simplesmente deprimente, mas escrevo o que vivo e o que apenas me passa na minha mente por enquanto é isso. Sei que não devia pedir perdão por isso, mas sempre tem uma parte de mim que acha que devo, mas hoje eu não peço perdão, pelo menos hoje não.

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