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Destaques

Colchão do fundo do poço

          Eu sempre fui dar mais valor - ou pelo menos achar que tem mais valor - por ela ter um olhar negativo, pessimista. Não de que o contrário seja verdade, ou de que ter preferência ao trágico seja trágico por si só. Mas, pelo menos pra mim, acho que é muito mais um apego pra adequar o que se vê ao que se sente, justificado por um "elitismo intelectual"      Nada mais chamativo ao depressivo achar-se absolvido de culpa por uma consequência da sociedade aonde ele nada tem como agir contra, matando qualquer culpa e qualquer sonho a fim de normalizar uma dor.      Uma caricatura do que em essência somos - e sempre seremos - em podridão, podridão essa destinada a ser o fim por cantos de seu nascimento. Muito mais chamativo e de aparência "fora do comum" do que contar sobre ingenuidade, risos e o cotidiano mundano que é visto como simplório.       Então assim que eu vivi por um bom tempo, não acho que não t...

Autocritica

     Toda vez que fui escrever sobre algo referente a minha vida, sempre tinha a sensação quando acabava: "Eu já não escrevi isso?" Não literalmente de escrever a mesma coisa, mas passar a mesma mensagem em outro rótulo, a mesma marmita em outra embalagem, mesma baboseira mais aperfeiçoado, e depois disso tudo, percebi que: Sim.

    Porque eu como um ser que vivo muito além da tragédia do passado, que busco ler e aprender o que posso, me digo bem mais feliz do que tudo na vida, criativamente estar preso no mesmo de 9 meses atrás? Não que eu não tenha melhorado, definitivamente minha escrita melhorou, mas a vida que eu vivo nem fodendo é a mesma de antes.

    Qual o ponto de se escrever como bonzão e só escrever de mágoas? Escrever como um pastor de que todos podem fazer e ficar nesse papo furado de sempre? Os momentos que eu ficava um bom tempo sem escrever eram os mesmos que eu mais ficava feliz, não tinha que despejar tristeza e superação que eu já estou fardo de aguentar de outros, imagina de mim mesmo.

    Então que acabe essa porra de saudosismo a conquista do passado, não sou depressivo mas me forço ser em escrita porque para mim era o que mais importava. Não importa porra nenhuma o que eu superar ou passei se faço disso uma vivência eterna na minha cabeça. Digo ter superado mas escrevo apenas dessa merda.

    Então não mais, eu espero, se magoas vieram que elas sejam despejadas em palavras, mas agora não estou vivendo novas mágoas, estou revivendo de novo e de novo as magoas do passado e isso me ferra como pessoa e como artista. Pelo menos podia tar fazendo musica de black metal com isso, mas não, estou apenas escrevendo a mesma baboseira que eu imaginava ser inovador, mas não é.

    Então que se queime o passado, porque não tenho futuro se eu viver no passado. Que se queime o deboche de gente que não gosto, que eu fale do que eu goste e do que eu vivo, pois não nasci para ser Sadboy em texto. Nasci para nada, e desse nada detesto completamente viver on-repeat, que apenas surge depois de efeito de anti depressivo, sou muito mais que isso.

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