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Destaques

Complexo de Interlúdio

  Olhas no meu rosto como fostes a partitura de um projeto vil. Contando em todas as pétalas do desejo o que te faz viril. Faz de seu pós o eterno pós, a mudança dos horizontes o pesadelo vivo Enganas a si e somente a si das virtudes injustiçadas pelo momento. Orando todo dia para não ser feito leito das areias Enquanto anseia a próxima vez que seus olhos torne-se musa de mascaras.   Vivo eu cá, a adornar o roteiro flácido de sua jornada como perdido. Lembro-me do teu nome para não esqueceres dele. Narro te como uma mãe que reza perante ao túmulo de seu filho Para poder acordar vendo-o salvar o mundo.   Contudo, apenas é como eu me visto, meu Sebastião. Quem dera fosse eu Satanás, meu cristo Largava-te a menor das satisfações Com paciência de perna curta.   Aprendi que te amo a puro olhos de cria Cria essa que nunca se apegou ao mundo. Olhando seu criador aos poucos ser defunto Desejando mais do que magia de família.   Então, me perdoe meu amado Pois meu veleiro...

Corrida e Morte

     Uma das coisas que eu gosto muito de fazer quando volto da escola é correr, e não uma de fato corrida que alguém faz por horas. Controlada, sensata e equilibrada, mas sim a corrida que eu faria no esconde-esconde a 10 anos atrás, como se o amanha nunca viesse e a adrenalina alimenta o urge, tempo passa.

    Além do mais lógico de se exercitar, também tem outro fator que para mim é bem mais importante, porque eu ainda posso. É fácil pegar o que temos hoje em dia e ficarmos contentes como sempre vai estar lá, eu durante a pandemia e até mesmo antes me reclui das brincadeiras que uma criança de condomínio geralmente tem, certamente teve um literal peso.

    80 quilos foi o pico, nada a tamanho de obesidade, mas certamente tinha gordura em excesso, ou tirando o eufemismo, eu estava gordo. Foi com academia ao ar livre que consegui perder até 65 quilos, e fico ao redor de 65-67. Sou longe de ser alguém musculoso, mas diria estar em forma ok, e por mais de ter formas de retardar o envelhecimento, uma bengala ou pelo menos uma energia menor é inevitável, e que bom que seja.

    É fácil procrastinar uma tarefa porque sempre tem o amanha, e eu vejo assim com a vida. Seria fácil falar de que na próxima vida eu não fumo, próxima vida me retiro de todos os vícios, toda vida eu me torno alguém melhor; ser alguém novo impune de todo mal. E você pode acreditar nisso, e não tenho nada a te julgar, mas para mim a beleza da vida é que ela é única.

    O seu rim é único, seus olhos sempre serão da cor que eles vieram, e o mais importante, o que veio não volta. meus 17 anos certamente está sendo a transição que veio desde os 16 de uma competência um pouco mais próxima de um adulto. Horários começaram a formar na minha cabeça, no meu jeito. Responsabilidades finalmente doem em mim não fazer, pelo menos algumas delas.

    E pensar que a infância que eu tive ou não tive, a sensação de viver num mundo cheio de interrogações que são incríveis de responder, da sensação de finalmente entender a como escrever, a de aprender o básico de programação, tudo isso é único e também já foi, guardado em uma mente ou em uma câmera, ambas com data de validade.

    E assim validando a importância de se importar de como ações afetam o futuro, por mais que o que existe é o agora, o futuro vai, ou pelo menos deveria, existir. E o eterno balanço entre viver no presente ou planejar o futuro é um inerentemente inconcebível de responder. Como você vai saber planejar algo que não existe? mas que ainda sim é importante?

    Filosofias são o que alguns agarram para responder isso, mesmo de forma não intencional, teologia também é uma opção igualmente válida e igualmente duvidosa. E eu vejo essa dicotomia simplesmente como:

Não me mata, não me cicatriza, então petisco.

    E assim eu corro como se não houvesse amanha, parecendo um doido, fugitivo da policia ou charmoso, sou feliz igual. E não machuco ninguém, muito menos a mim, então não vejo porque me conformar a chatíssima andada apressada comum nas ruas de São Paulo, ainda não tenho que me preocupar com o depois, por enquanto o que existe é apenas o agora.

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