Pular para o conteúdo principal

Destaques

Lançado ao mar

     A noite estava sóbria, embora não fosse essa a sensação que se traduzia a carne seca. Enquanto a mente do nosso rei perambulava aos mais extensos fins da consciência, buscando um temerário fim a seus pensamentos, brisava em seu arredor o temerário momento que lá ocorreu, embora perdesse a ideia de espaço a muito tempo atrás.     Pouco refletiu  em sua frenesi materializada que agora era realidade os motivos que o levaram a esse abismo, achava que ao voltar teria o tempo para enfrentar os milhares de corpos que proferiram as maiores bênçãos e maldições que podia imaginar.      Mas não, o ao redor deu lhe em suas veias uma súbita familiaridade, pela vegetação seca da vida ainda ressentia o ar ferroso de batalhas folclóricas recitada por loucos vendados pela rua, profetizando o apocalíptico fim do prefeito tirano que retirou seu barril de residência.     O sangramento azul contornava os passos largos e abatidos de Sebastião enquan...

Uma ponte na manha de cigarro

 Sol clareia luz apaga.

Mente chata, gente chata.

Mesmo com fardo, o gato afago,

Me sinto como pato, porque eu faço?


Gargalhos eu ouço e o poço olho.

Por 5 segundos humanos eu vi,

Que viveram mais do que vivi

E sofreram mais do que eu sofri.


Mas lá estavam, manhã de cigarro.

Me senti como pirralho, ingrato com o nada.

Santo que pariu essa cidade.

Nunca partiu sua humanidade.


Muralhas cada vez mais altas,

fumaça cada dia mais áspera.

Mas lá estavam, vivendo.

E eu, correndo.


Gargalhos e um pirralho.

Assim que aquela ponte estava.

No poço que eu cavava.

Assim sai do meu reino de palha,

e um sorriso cresci.

E então o resto do dia vivi.


Postagens mais visitadas