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Destaques

Definhando em violetas

     Tivesse eu a chance de me arrepender, me arrependeria de muita coisa, mas não realizaria nenhum desses arrependimentos.      Pois em perrengues que me vinham que geravam outros perrengues que me fizeram um eremita obrigatório para a ironia divina me fazer descascá-los monte abaixo privilegiada aos olhos de deus numa casa de aquisição minha.      Pelas antiguidades dos corpos que moravam aqui me encontro e me ponho entre as fendas decadentes para não ser só meu, vendo os gritos que nunca tive desmoldarem entre as muvucas da existência que me afastam de entendê-la, tangendo em cinco linhas procurando humanas serem e de todas elas eu ser.      As redondezas de Decapitã não são assim entretanto. Pelas pontilhadas figuras que dão vida ao horizonte inundado de nuvens, vivendo coisas que mal lembro de serem, mas em seus movimentos alimentam o medo que tenho do meu filho.      Pela história de ser alguém me perdi pe...

Martelos e Martelados

    Um esteriótipo que inegavelmente existe a qualquer tipo de trabalho de cunho artístico é o de ser um trabalho (se é que é cogitado como trabalho) de menor valor por "ser mais fácil", e superficialmente faz bastante sentido.

    É difícil perceber o esforço de um escritor para o esforço de um trabalhador de escritório, ou de um trabalhador de construção, de produção agrícola, etc. Em tese parece ter apenas uma vaguíssima porcentagem de esforço, seja por "apenas escrever", "apenas cantar", "apenas gravar e falar", etc.

    Mas, pelo menos ao meu ver, o esforço ele é muito mais contínuo e envolve substancialmente mais estar fora desse processo, fora de pensar sub-consciente enquanto fazendo uma tarefa que para o cérebro é efetivamente automatizada.

    Obvio que trabalhos criativos também possuem essa parte, seja escrevendo e reescrevendo o mesmo capitulo durante décadas, até chegar um ponto em que talvez esteja satisfeito com ele, como Juan Rolfo, ouvir e re-ouvir o mesmo trecho para alinhar o som dos trompetes ao BPM da música. Ou ficar uma tarde inteira para tentar arrumar um trecho especifico de um video porque ele não bate tanto assim com o resto dele.

    Mas pelo menos a mim, que não julgo ter chegado a esse nível de esforço ainda (eu espero). O que definitivamente é o mais difícil é ter a ideia. Ter o clique que liga A com B e C com D, como transformar a miragem em algo vagamente concreto, não que seja uma aventura para descobrir uma piramide egípcia, longe disso.

    Mas querer achar essa forma, esse trajeto, uma formula para esse trajeto, algo que faz sentido para você mudar a miragem, adaptar e ver ela de outros olhos, é algo que pelo menos para mim é intrinsecamente individual, por tanto imensurável.  

    E por mais de eu reconhecer isso e negar o esteriótipo. Querendo ou não entra na cabeça, não existe parede que não possa ser martelada, desde que se tenha o martelo e quem martela, e eu não sei que quem martela sou eu ou quem eu imagino ser outro. Outro que ri de mim por ver burrice e nenhum real produzido, porque assim que é a vida para alguns. 

   Mas o demônio apenas doí enquanto você ouve a risada, e felizmente é fácil de ouvi-lo de outros ou de mim mesmo, parar de caça-lo. É fácil ser o critico, difícil ser o criticado, e toda vez a gente pega a razão de volta olhando para o começo, somente o começo, somente o comelo.

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