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Destaques

Complexo de Interlúdio

  Olhas no meu rosto como fostes a partitura de um projeto vil. Contando em todas as pétalas do desejo o que te faz viril. Faz de seu pós o eterno pós, a mudança dos horizontes o pesadelo vivo Enganas a si e somente a si das virtudes injustiçadas pelo momento. Orando todo dia para não ser feito leito das areias Enquanto anseia a próxima vez que seus olhos torne-se musa de mascaras.   Vivo eu cá, a adornar o roteiro flácido de sua jornada como perdido. Lembro-me do teu nome para não esqueceres dele. Narro te como uma mãe que reza perante ao túmulo de seu filho Para poder acordar vendo-o salvar o mundo.   Contudo, apenas é como eu me visto, meu Sebastião. Quem dera fosse eu Satanás, meu cristo Largava-te a menor das satisfações Com paciência de perna curta.   Aprendi que te amo a puro olhos de cria Cria essa que nunca se apegou ao mundo. Olhando seu criador aos poucos ser defunto Desejando mais do que magia de família.   Então, me perdoe meu amado Pois meu veleiro...

Martelos e Martelados

    Um esteriótipo que inegavelmente existe a qualquer tipo de trabalho de cunho artístico é o de ser um trabalho (se é que é cogitado como trabalho) de menor valor por "ser mais fácil", e superficialmente faz bastante sentido.

    É difícil perceber o esforço de um escritor para o esforço de um trabalhador de escritório, ou de um trabalhador de construção, de produção agrícola, etc. Em tese parece ter apenas uma vaguíssima porcentagem de esforço, seja por "apenas escrever", "apenas cantar", "apenas gravar e falar", etc.

    Mas, pelo menos ao meu ver, o esforço ele é muito mais contínuo e envolve substancialmente mais estar fora desse processo, fora de pensar sub-consciente enquanto fazendo uma tarefa que para o cérebro é efetivamente automatizada.

    Obvio que trabalhos criativos também possuem essa parte, seja escrevendo e reescrevendo o mesmo capitulo durante décadas, até chegar um ponto em que talvez esteja satisfeito com ele, como Juan Rolfo, ouvir e re-ouvir o mesmo trecho para alinhar o som dos trompetes ao BPM da música. Ou ficar uma tarde inteira para tentar arrumar um trecho especifico de um video porque ele não bate tanto assim com o resto dele.

    Mas pelo menos a mim, que não julgo ter chegado a esse nível de esforço ainda (eu espero). O que definitivamente é o mais difícil é ter a ideia. Ter o clique que liga A com B e C com D, como transformar a miragem em algo vagamente concreto, não que seja uma aventura para descobrir uma piramide egípcia, longe disso.

    Mas querer achar essa forma, esse trajeto, uma formula para esse trajeto, algo que faz sentido para você mudar a miragem, adaptar e ver ela de outros olhos, é algo que pelo menos para mim é intrinsecamente individual, por tanto imensurável.  

    E por mais de eu reconhecer isso e negar o esteriótipo. Querendo ou não entra na cabeça, não existe parede que não possa ser martelada, desde que se tenha o martelo e quem martela, e eu não sei que quem martela sou eu ou quem eu imagino ser outro. Outro que ri de mim por ver burrice e nenhum real produzido, porque assim que é a vida para alguns. 

   Mas o demônio apenas doí enquanto você ouve a risada, e felizmente é fácil de ouvi-lo de outros ou de mim mesmo, parar de caça-lo. É fácil ser o critico, difícil ser o criticado, e toda vez a gente pega a razão de volta olhando para o começo, somente o começo, somente o comelo.

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