Pular para o conteúdo principal

Destaques

CHOCANTE: JORNAL IMPRESSO AINDA EXISTE?

     Uma das escolhas de hábitos menos "modernas" que eu estou a acho que uns 5 meses é o - vivo e morto material real cortado de árvore - chamado "Jornal Impresso", que a reação de algumas pessoas ao não saberem que ainda criam essas belezuras cafonas (e empresas específicas para a entrega desses papéis que, aos olhos contemporâneos, são equivalente a peças de museus)      Não minto que meu começo nessa trajetória veio muito mais pelo impulsivo ódio de hyperlinks de jornais que me pedem para pagar uma assinatura que, em minha derrocada moral, sucumbi ao nível de - além de pagar para tirar essa paywall - fui pagar pela a imprensa enviesada a ser falsiane (pela assinatura impressa mais barata que tinha)!!!       Ainda hoje tenho alguns mistérios dessas 40 e alguma coisas páginas que eu recebo na porta da minha casa toda semana, como por exemplo:      - Tem Jornal que fede mais (ou é o tapete pisoteado das mais nojentas va...

Martelos e Martelados

    Um esteriótipo que inegavelmente existe a qualquer tipo de trabalho de cunho artístico é o de ser um trabalho (se é que é cogitado como trabalho) de menor valor por "ser mais fácil", e superficialmente faz bastante sentido.

    É difícil perceber o esforço de um escritor para o esforço de um trabalhador de escritório, ou de um trabalhador de construção, de produção agrícola, etc. Em tese parece ter apenas uma vaguíssima porcentagem de esforço, seja por "apenas escrever", "apenas cantar", "apenas gravar e falar", etc.

    Mas, pelo menos ao meu ver, o esforço ele é muito mais contínuo e envolve substancialmente mais estar fora desse processo, fora de pensar sub-consciente enquanto fazendo uma tarefa que para o cérebro é efetivamente automatizada.

    Obvio que trabalhos criativos também possuem essa parte, seja escrevendo e reescrevendo o mesmo capitulo durante décadas, até chegar um ponto em que talvez esteja satisfeito com ele, como Juan Rolfo, ouvir e re-ouvir o mesmo trecho para alinhar o som dos trompetes ao BPM da música. Ou ficar uma tarde inteira para tentar arrumar um trecho especifico de um video porque ele não bate tanto assim com o resto dele.

    Mas pelo menos a mim, que não julgo ter chegado a esse nível de esforço ainda (eu espero). O que definitivamente é o mais difícil é ter a ideia. Ter o clique que liga A com B e C com D, como transformar a miragem em algo vagamente concreto, não que seja uma aventura para descobrir uma piramide egípcia, longe disso.

    Mas querer achar essa forma, esse trajeto, uma formula para esse trajeto, algo que faz sentido para você mudar a miragem, adaptar e ver ela de outros olhos, é algo que pelo menos para mim é intrinsecamente individual, por tanto imensurável.  

    E por mais de eu reconhecer isso e negar o esteriótipo. Querendo ou não entra na cabeça, não existe parede que não possa ser martelada, desde que se tenha o martelo e quem martela, e eu não sei que quem martela sou eu ou quem eu imagino ser outro. Outro que ri de mim por ver burrice e nenhum real produzido, porque assim que é a vida para alguns. 

   Mas o demônio apenas doí enquanto você ouve a risada, e felizmente é fácil de ouvi-lo de outros ou de mim mesmo, parar de caça-lo. É fácil ser o critico, difícil ser o criticado, e toda vez a gente pega a razão de volta olhando para o começo, somente o começo, somente o comelo.

Postagens mais visitadas