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Destaques

Lançado ao mar

     A noite estava sóbria, embora não fosse essa a sensação que se traduzia a carne seca. Enquanto a mente do nosso rei perambulava aos mais extensos fins da consciência, buscando um temerário fim a seus pensamentos, brisava em seu arredor o temerário momento que lá ocorreu, embora perdesse a ideia de espaço a muito tempo atrás.     Pouco refletiu  em sua frenesi materializada que agora era realidade os motivos que o levaram a esse abismo, achava que ao voltar teria o tempo para enfrentar os milhares de corpos que proferiram as maiores bênçãos e maldições que podia imaginar.      Mas não, o ao redor deu lhe em suas veias uma súbita familiaridade, pela vegetação seca da vida ainda ressentia o ar ferroso de batalhas folclóricas recitada por loucos vendados pela rua, profetizando o apocalíptico fim do prefeito tirano que retirou seu barril de residência.     O sangramento azul contornava os passos largos e abatidos de Sebastião enquan...

Todas as aventuras tem seus pontos finais

     Eu sigo ferventemente a filosofia de que é melhor acabar numa nota alta (ou high note) do que continuar e decaindo e deteriorando cada vez mais fora da sua origem em busca de continuar algo que cada vez mais se torna melhor na memória do que na realidade. Salva os momentos bons com um fim mais doce, muita coisa muda desde lá quando começa, e acaba sendo uma decisão mais honesta do que continuar algo sem vontade, e tudo bem, saca?

    Se isso aqui, essas aventuras, não serviu o propósito de documentar e registrar o que passo e passei, o que penso e pensava, não sei o que mais pode servir. Não me acho necessariamente iludido com escrita em geral, mas especificamente com isso, mais idealístico do que necessariamente racional, mais perguntas e respostas e menos preocupações no que realmente é, em resumo, adolescência, mas não só.

    Fim de 2023 e todo o ano de 2024 foram anos que além de minha vida não acabar, ela mudou muito drasticamente. Volta a escola e criando pela primeira vez uma vida social fora de bytes e hyperlinks, voltei a ler (e a ler mais ainda), passei de culpar regularmente os meus transtornos a trabalhar com e contornar eles quando possível, depressões passaram de diárias para cada vez mais periódicas e distantes.

    Então o Pietro que começou com desabafos junto a escritas estilo videos que eu adorava de ver quando era bem pequeno, que criaram a minha vontade de criticar e questionar o que tinha a minha volta, questionar a religiosidade, questionar o mundo a minha volta e porque ele é assim, e fico grato por todo bom e mal texto que escrevi, genuinamente.

    Fico feliz de receber poucos mais sinceros elogios por um blog que tive zero expectativa no começo, um tipo de plataforma que tive certo receio, mas não fico tão feliz e principalmente motivado a querer escrever. Não desejo ser pastor, não desejo ser messias, não desejo ser um salvador, e não desejo escrever algo que dificilmente passa de uma opinião, se eu for querer contribuir para o mundo por bem ou por mal, não desejo fazer assim.

    Quero escrever falar e fazer sabendo o que é que eu faço, quero ter o esforço maior de poucas horas escrevendo, quero deixar cá como está, e tudo bem. Agradeço aos que leram e gostaram e acabaram mudando como eu sou mais do que imaginam, talvez eu faça algo similar, provavelmente não, mas em qualquer caso, tudo está bem.

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