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Destaques

Complexo de Interlúdio

  Olhas no meu rosto como fostes a partitura de um projeto vil. Contando em todas as pétalas do desejo o que te faz viril. Faz de seu pós o eterno pós, a mudança dos horizontes o pesadelo vivo Enganas a si e somente a si das virtudes injustiçadas pelo momento. Orando todo dia para não ser feito leito das areias Enquanto anseia a próxima vez que seus olhos torne-se musa de mascaras.   Vivo eu cá, a adornar o roteiro flácido de sua jornada como perdido. Lembro-me do teu nome para não esqueceres dele. Narro te como uma mãe que reza perante ao túmulo de seu filho Para poder acordar vendo-o salvar o mundo.   Contudo, apenas é como eu me visto, meu Sebastião. Quem dera fosse eu Satanás, meu cristo Largava-te a menor das satisfações Com paciência de perna curta.   Aprendi que te amo a puro olhos de cria Cria essa que nunca se apegou ao mundo. Olhando seu criador aos poucos ser defunto Desejando mais do que magia de família.   Então, me perdoe meu amado Pois meu veleiro...

18

     Eu gosto de falar na brincadeira de como tempo é uma construção social, não que eu ache que seja obviamente, mas eu não não acho completamente também. Como ele passa e como se percebe ele passando são duas coisas bem diferentes, fico feliz por estar numa marcha a menos recentemente, não que essa sensação seja incomum, mas dessa vez parece mais permanente.

    18 é certamente uma idade mais única porque leis existem, mas pessoalmente o que acho mais de importante pra ela pra mim foi de consolidar bem a ideia de não ter que me provar para outros, que é bem diferente de não se importar e aquela devia ser mais perguntada do que esta.

    Não se importar é como tirar a existência de outras pessoas na contabilização da sua vida. E dificilmente acho que essa questão consegue ter o minimo de verdade, fora e dentro de literalidade, já que isso entalharia uma automática apatia a tal questão, que existe mais para reforçar uma mentalidade de tribalismo agressivo do que realmente sentir bem de si.

    "Invalidando" qualquer tipo de "fraqueza" que uma pessoa tenha, invalidando no sentido de reconhecer é claro, já que nada desparece, apenas se atordoa a sua resolução - ou falta de resolução - inevitável, e acho que tem mais nada que se faça de bom grado pra auto estima do que tal feito.

    Um dos motivos meio implícitos de eu querer parar de escrever aqui foi por várias das coisas que eu escrevi aqui eu ter mudado delas ao longo do tempo, mas a vida não é sempre assim no final de contas? Erras no passado para no futuro ser um erro melhor, e ainda fico grato de escrever o que pensava e vivia, mesmo achando o fora do que acho "legal" hoje em dia, não preciso provar minha escrita de qualquer forma.

    Não que não me fere ela não ser provada, mas fere menos quando eu reconheço que ela fere, meio paradoxical mas até que faz sentindo, coragem é ser sensível afinal de contas. Interagir com outras pessoas em geral inevitavelmente leva a um ferimento mutuo, socializar é bem literalmente doloroso, mas por trás de toda ferida tem uma intenção, e essa intenção nada obriga ela ser atrelada a interpretação que a ferida se dá em um vácuo.

    Não que isso seja uma Fórmula Mágica da Paz, quem dera seja achável ela algum dia, tudo seria mais chato depois. Mas é bom o suficiente para ser relevante, relevante de querer pensar para escrever, relevante o suficiente para se importar de praticar à encontrar por melancolia algo a se olhar e não apenas ver, de não ser mais criança, ou de sempre ser criança. 

    Ser mais novo significa ter mais caminhos pela ambiguidade por ingenuidade, perdoar por falta de abstrações de orgulho ou necessidade de superioridade, afloradamente sensível, morrendo e renascendo nas formas de viver e se ver.

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