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Destaques

Análise Dom Casmurro - Parte 2 que nem eu ou você esperava

       Eu tenho um leve problema quando eu fui querer criar a primeira parte dessa análise - que foi assumir que eu tava falando de um livro só.      O Livro  de  Dom Casmurro é uma história efetivamente universal e transcendente de períodos históricos por sua natureza inerentemente crua, crua ao nível de ser um manuscrito que se desconhece como começou quando termina.      A evolução do autor Dom Casmurro de um leve vulto de nostalgia até uma confissão dos mais profundos segredos de Bento que o definiram como Dom Casmurro é digna de ser lida como muita coisa por muitas boas razões.      Por outro lado, e era o que eu justamente tinha mais a cabeça, era o Dom Casmurro de Machado de Assis. Machado esse que foi a mudar sua escrita ao realismo apenas aos 40 anos de seus quase 70 anos de vida      E, embora a crítica burguesa de Machado de Assis seja bem interessante, para mim que nasceu mais de um séc...

18

     Eu gosto de falar na brincadeira de como tempo é uma construção social, não que eu ache que seja obviamente, mas eu não não acho completamente também. Como ele passa e como se percebe ele passando são duas coisas bem diferentes, fico feliz por estar numa marcha a menos recentemente, não que essa sensação seja incomum, mas dessa vez parece mais permanente.

    18 é certamente uma idade mais única porque leis existem, mas pessoalmente o que acho mais de importante pra ela pra mim foi de consolidar bem a ideia de não ter que me provar para outros, que é bem diferente de não se importar e aquela devia ser mais perguntada do que esta.

    Não se importar é como tirar a existência de outras pessoas na contabilização da sua vida. E dificilmente acho que essa questão consegue ter o minimo de verdade, fora e dentro de literalidade, já que isso entalharia uma automática apatia a tal questão, que existe mais para reforçar uma mentalidade de tribalismo agressivo do que realmente sentir bem de si.

    "Invalidando" qualquer tipo de "fraqueza" que uma pessoa tenha, invalidando no sentido de reconhecer é claro, já que nada desparece, apenas se atordoa a sua resolução - ou falta de resolução - inevitável, e acho que tem mais nada que se faça de bom grado pra auto estima do que tal feito.

    Um dos motivos meio implícitos de eu querer parar de escrever aqui foi por várias das coisas que eu escrevi aqui eu ter mudado delas ao longo do tempo, mas a vida não é sempre assim no final de contas? Erras no passado para no futuro ser um erro melhor, e ainda fico grato de escrever o que pensava e vivia, mesmo achando o fora do que acho "legal" hoje em dia, não preciso provar minha escrita de qualquer forma.

    Não que não me fere ela não ser provada, mas fere menos quando eu reconheço que ela fere, meio paradoxical mas até que faz sentindo, coragem é ser sensível afinal de contas. Interagir com outras pessoas em geral inevitavelmente leva a um ferimento mutuo, socializar é bem literalmente doloroso, mas por trás de toda ferida tem uma intenção, e essa intenção nada obriga ela ser atrelada a interpretação que a ferida se dá em um vácuo.

    Não que isso seja uma Fórmula Mágica da Paz, quem dera seja achável ela algum dia, tudo seria mais chato depois. Mas é bom o suficiente para ser relevante, relevante de querer pensar para escrever, relevante o suficiente para se importar de praticar à encontrar por melancolia algo a se olhar e não apenas ver, de não ser mais criança, ou de sempre ser criança. 

    Ser mais novo significa ter mais caminhos pela ambiguidade por ingenuidade, perdoar por falta de abstrações de orgulho ou necessidade de superioridade, afloradamente sensível, morrendo e renascendo nas formas de viver e se ver.

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