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Destaques

Irresolutos adeuses de lá

          Sei que riria bastante quando visse o seu túmulo com grandes iniciais e interrogações incertas de seu lugar, mas bem que poderia ter sido mais considerativo com o coração de seu melhor amigo.    Espero que tenha pensado na  melancolia latente que sua ausência foi criando em todo mundo, as incertezas diárias que emolduravam a sua falta e, embora tentássemos escondê-la no nosso dia dia, escapuliam aos ares e tirava-nos o fôlego.      Até que um dia, dos dias lá de trás, decidimos colocá-lo a sete palmos na terra e levá-lo a outro mundo. Eu não fui naquele dia, por mais que até o último minuto minha mãe queria me arrastar até ver "você" indo embora.      Espero que não se sinta mal por isso, não sei o que me deu quando a sua partida pareceu um pouco mais indeterminada do que todo mundo achava, tive medo de sentir que talvez não estivesse tão são e salvo ou tão em pé, por isso que me dei ao máximo de viver ...

Clichês Rotineiros

    "Tudo que sei é que nada sei" segundo a um grego que muito pouco sabemos do que ele foi saber ao ponto de escrever. Por mais clichê que seja essa frase, ela reverbera bastante quanto mais desejo saber, como boa parte das frases clichês em geral, o que elas tem de repetição é o que elas tem de significação para justificarem serem clichês e não esquecidas.

    Quando eu fui engatinhar em criar o hábito de ler, a ânsia de querer ler logo, para terminar de ler algo logo se destacava pra cacete em retrospectiva. Começar algum hábito sempre é eufórico e consequentemente temporário, que foi algo difícil pra mim entender, ou talvez ainda nem entenda bem assim, aprender não é por acaso gradual.

    Não quer ler tenha se tornado algo ruim, mas não vem mais com a gama de dopamina de saber mais, eventualmente você se acostuma sabe? Vira rotineiro, não é nada mais exótico e não tem muito que se faça para não ser assim mais, e não que seja mal, mas depende da perspectiva pra não ser.

    Pegar o olhar de não buscar pelo prazer ou nem necessariamente pela felicidade é de certa forma entediante, mas é bom, aprender a ser clichê é bom. Já que tudo que se acentua se acentua por ser diferente do resto, e se todo o resto busca existir em picos então tudo é um mero pampas, desertificando por sua tentativa de viver ao máximo, virando assim nada.

    Não que seja algo de excelência obviamente, mas é diferente em não querer ser diferente, assim sendo libertador em seu próprio vazio de propósito, vazio que se faz falta quando o balanço vira passado e estabilidade uma doutrina. Não que seja um pensamento niilístico, muito pelo contrário, depressivo é viver no insaciável.

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