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Destaques

Irresolutos adeuses de lá

          Sei que riria bastante quando visse o seu túmulo com grandes iniciais e interrogações incertas de seu lugar, mas bem que poderia ter sido mais considerativo com o coração de seu melhor amigo.    Espero que tenha pensado na  melancolia latente que sua ausência foi criando em todo mundo, as incertezas diárias que emolduravam a sua falta e, embora tentássemos escondê-la no nosso dia dia, escapuliam aos ares e tirava-nos o fôlego.      Até que um dia, dos dias lá de trás, decidimos colocá-lo a sete palmos na terra e levá-lo a outro mundo. Eu não fui naquele dia, por mais que até o último minuto minha mãe queria me arrastar até ver "você" indo embora.      Espero que não se sinta mal por isso, não sei o que me deu quando a sua partida pareceu um pouco mais indeterminada do que todo mundo achava, tive medo de sentir que talvez não estivesse tão são e salvo ou tão em pé, por isso que me dei ao máximo de viver ...

Crença Secular

     Submissão e Apocalipse podem não cheirar a mesmo objetivo, a mesma crítica, as mesmas ideias e mesmas articulações de como apresentam o que querem apresentar, muitas vezes opostas e distintas, mas a conclusão que ambos conseguem se tirar é impressionantemente muito similares.

        Antes de ler Submissão religião sempre era algo de menor importância, não creio logo não ligo e tudo fica em vinho, e também assim se ficava a relevância que religião podia ter no mundo ao meu ver. Não que não tivesse papel, mas um papel que eu não relevasse tanto, talvez não tanto como devia, mas o futuro é digital, não?

    Nunca se esteve tão longe da natureza que acolhe e abandona com total indiferença, como crer em um Deus quando tudo é mais plástico, produto de artifício menos imensuráveis em bíblias e alcorães. Até se parece ainda mais fresco o sangue que nós usamos para matar deus. Mas tem ciência que justifica as angelicalidades das estrelas ao olhar ao céu? quem sou eu para dizer que não, mas também não sou eu para dizer que sim.

    Religião pra mim sempre foi uma forma de desespero, o desespero da existência existir por mera condição de existir. Talvez seja isso que seja mas num olhar menos melancólico, pelas óticas da fé de certa forma. Mas o que difere a fé do desespero? o seu estado de gestação, mas a religião longe é de ser a única nesse cardápio de viver, como por exemplo secularismo.

    Sim, sim, esta palavra mesmo, secularismo, o que difere tanto tal de uma fé como religião? Alguém há de crer para existir, e alguém há de continuar crendo, reinventando suas justificações num plano não estático para justificar a sua existência. Com suas correntes e divergências, relaxações e práxis de ser e se entender: quantas referencias a Deus pelo estado faz o estado parar de ser laico? talvez uma já vá, mas quantidade certa é sempre arbitrário.

    E de certa forma acaba sendo paradoxal essa crença. Um estado do povo, pelo povo, para o povo, aonde o povo sem sombra de duvida em sua maioria religioso, crendo ao mesmo tempo de que o estado se difere do povo por não ter uma crença em especifico. Mas de quem é o estado afinal? dos fracos ou dos mais fortes? de todos ou da maioria? de ideais ou de realidades?

    Ironicamente eu acho que um dos estados da história que mais conseguiram "resolver" esse paradoxo foi a Alemanha Nazista. Uma crença suicidária, xenofóbica, racista e genocida em uma coalizão do mais repugnante ultra-nacionalismo, revanchismo antissemita que se permeou democraticamente em um dos regimes mais liberais - no sentido literal da palavra em qualquer caso de duvida, progressista da história da Alemanha e em seu contexto histórico do mundo.

    Paradoxos podem ser os presságios de sua existência, mas também motivos que fascinam o sonho de um mundo melhor, o impossível que leva ao possível. Tudo indo para pior pode ser uma motivação ou uma depressão e o apocalipse é uma revelação ou o fim, haja ouvidos para um ou o outro. 

        

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