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Destaques

Colchão do fundo do poço

          Eu sempre fui dar mais valor - ou pelo menos achar que tem mais valor - por ela ter um olhar negativo, pessimista. Não de que o contrário seja verdade, ou de que ter preferência ao trágico seja trágico por si só. Mas, pelo menos pra mim, acho que é muito mais um apego pra adequar o que se vê ao que se sente, justificado por um "elitismo intelectual"      Nada mais chamativo ao depressivo achar-se absolvido de culpa por uma consequência da sociedade aonde ele nada tem como agir contra, matando qualquer culpa e qualquer sonho a fim de normalizar uma dor.      Uma caricatura do que em essência somos - e sempre seremos - em podridão, podridão essa destinada a ser o fim por cantos de seu nascimento. Muito mais chamativo e de aparência "fora do comum" do que contar sobre ingenuidade, risos e o cotidiano mundano que é visto como simplório.       Então assim que eu vivi por um bom tempo, não acho que não t...

Crença Secular

     Submissão e Apocalipse podem não cheirar a mesmo objetivo, a mesma crítica, as mesmas ideias e mesmas articulações de como apresentam o que querem apresentar, muitas vezes opostas e distintas, mas a conclusão que ambos conseguem se tirar é impressionantemente muito similares.

        Antes de ler Submissão religião sempre era algo de menor importância, não creio logo não ligo e tudo fica em vinho, e também assim se ficava a relevância que religião podia ter no mundo ao meu ver. Não que não tivesse papel, mas um papel que eu não relevasse tanto, talvez não tanto como devia, mas o futuro é digital, não?

    Nunca se esteve tão longe da natureza que acolhe e abandona com total indiferença, como crer em um Deus quando tudo é mais plástico, produto de artifício menos imensuráveis em bíblias e alcorães. Até se parece ainda mais fresco o sangue que nós usamos para matar deus. Mas tem ciência que justifica as angelicalidades das estrelas ao olhar ao céu? quem sou eu para dizer que não, mas também não sou eu para dizer que sim.

    Religião pra mim sempre foi uma forma de desespero, o desespero da existência existir por mera condição de existir. Talvez seja isso que seja mas num olhar menos melancólico, pelas óticas da fé de certa forma. Mas o que difere a fé do desespero? o seu estado de gestação, mas a religião longe é de ser a única nesse cardápio de viver, como por exemplo secularismo.

    Sim, sim, esta palavra mesmo, secularismo, o que difere tanto tal de uma fé como religião? Alguém há de crer para existir, e alguém há de continuar crendo, reinventando suas justificações num plano não estático para justificar a sua existência. Com suas correntes e divergências, relaxações e práxis de ser e se entender: quantas referencias a Deus pelo estado faz o estado parar de ser laico? talvez uma já vá, mas quantidade certa é sempre arbitrário.

    E de certa forma acaba sendo paradoxal essa crença. Um estado do povo, pelo povo, para o povo, aonde o povo sem sombra de duvida em sua maioria religioso, crendo ao mesmo tempo de que o estado se difere do povo por não ter uma crença em especifico. Mas de quem é o estado afinal? dos fracos ou dos mais fortes? de todos ou da maioria? de ideais ou de realidades?

    Ironicamente eu acho que um dos estados da história que mais conseguiram "resolver" esse paradoxo foi a Alemanha Nazista. Uma crença suicidária, xenofóbica, racista e genocida em uma coalizão do mais repugnante ultra-nacionalismo, revanchismo antissemita que se permeou democraticamente em um dos regimes mais liberais - no sentido literal da palavra em qualquer caso de duvida, progressista da história da Alemanha e em seu contexto histórico do mundo.

    Paradoxos podem ser os presságios de sua existência, mas também motivos que fascinam o sonho de um mundo melhor, o impossível que leva ao possível. Tudo indo para pior pode ser uma motivação ou uma depressão e o apocalipse é uma revelação ou o fim, haja ouvidos para um ou o outro. 

        

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