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Destaques

Lançado ao mar

     A noite estava sóbria, embora não fosse essa a sensação que se traduzia a carne seca. Enquanto a mente do nosso rei perambulava aos mais extensos fins da consciência, buscando um temerário fim a seus pensamentos, brisava em seu arredor o temerário momento que lá ocorreu, embora perdesse a ideia de espaço a muito tempo atrás.     Pouco refletiu  em sua frenesi materializada que agora era realidade os motivos que o levaram a esse abismo, achava que ao voltar teria o tempo para enfrentar os milhares de corpos que proferiram as maiores bênçãos e maldições que podia imaginar.      Mas não, o ao redor deu lhe em suas veias uma súbita familiaridade, pela vegetação seca da vida ainda ressentia o ar ferroso de batalhas folclóricas recitada por loucos vendados pela rua, profetizando o apocalíptico fim do prefeito tirano que retirou seu barril de residência.     O sangramento azul contornava os passos largos e abatidos de Sebastião enquan...

Noite de quebrar um homem

    O Sol talvez dormece, mas com certeza ainda choverá. Passo fundo nos lagos urbanos profundos, uma figura eclíptica nessa selva de pedra. Vagaroso é seu humor diante a falha dos canos do submundo, como se fosse um riacho prestes a ser nadado, ou um mal-conforme que o tempo passa e sara.

    É de cá, mas seu sorriso não se enquadra em nenhum lá, em sua energia em gritante contraste desse momento. Vira-se em carne, mas também em alma, aos que os muros dizem, gargalhando como se fosse a primeira vez, em meio a letras encharcadas com seus óculos aguados, irritantemente se destacando na paisagem, como se a rua fosse seu berço e a cidade o parquinho

    Roubando minha vista com uma áurea de brisa. Como podes me tirar da melancolia? dolorido é ter que tocá-la de novo. Memórias de um mundo que podia ter sido meu, ou pelo menos que me pertencesse. Mas lá vai ele, todo cheio de si, ousando ser feliz nessa noite de merda. Com seu olhos dorminhocos mas simpáticos que me humilham e sempre detesto, como se meu vinho tivesse futuro. Sumindo tão emblematicamente como apareceu, estragando minha bêbada poesia.

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