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Destaques

Solo

     Queimei o mato. Não sei se vou conseguir ver se matou os vermes, mas por ter tirado de mim a loucura de sua existência e o fardo de mantê-la viva mesmo apodrecendo, sou grato por ter feito, embora tudo possa se desmoronar em cinzas, espero que pelo menos elas sirvam para sarar os que virão

Noite de quebrar um homem

    O Sol talvez dormece, mas com certeza ainda choverá. Passo fundo nos lagos urbanos profundos, uma figura eclíptica nessa selva de pedra. Vagaroso é seu humor diante a falha dos canos do submundo, como se fosse um riacho prestes a ser nadado, ou um mal-conforme que o tempo passa e sara.

    É de cá, mas seu sorriso não se enquadra em nenhum lá, em sua energia em gritante contraste desse momento. Vira-se em carne, mas também em alma, aos que os muros dizem, gargalhando como se fosse a primeira vez, em meio a letras encharcadas com seus óculos aguados, irritantemente se destacando na paisagem, como se a rua fosse seu berço e a cidade o parquinho

    Roubando minha vista com uma áurea de brisa. Como podes me tirar da melancolia? dolorido é ter que tocá-la de novo. Memórias de um mundo que podia ter sido meu, ou pelo menos que me pertencesse. Mas lá vai ele, todo cheio de si, ousando ser feliz nessa noite de merda. Com seu olhos dorminhocos mas simpáticos que me humilham e sempre detesto, como se meu vinho tivesse futuro. Sumindo tão emblematicamente como apareceu, estragando minha bêbada poesia.

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