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Destaques

CHOCANTE: JORNAL IMPRESSO AINDA EXISTE?

     Uma das escolhas de hábitos menos "modernas" que eu estou a acho que uns 5 meses é o - vivo e morto material real cortado de árvore - chamado "Jornal Impresso", que a reação de algumas pessoas ao não saberem que ainda criam essas belezuras cafonas (e empresas específicas para a entrega desses papéis que, aos olhos contemporâneos, são equivalente a peças de museus)      Não minto que meu começo nessa trajetória veio muito mais pelo impulsivo ódio de hyperlinks de jornais que me pedem para pagar uma assinatura que, em minha derrocada moral, sucumbi ao nível de - além de pagar para tirar essa paywall - fui pagar pela a imprensa enviesada a ser falsiane (pela assinatura impressa mais barata que tinha)!!!       Ainda hoje tenho alguns mistérios dessas 40 e alguma coisas páginas que eu recebo na porta da minha casa toda semana, como por exemplo:      - Tem Jornal que fede mais (ou é o tapete pisoteado das mais nojentas va...

O que não te contam no Sampa

         As cidades periféricas à São Paulo e propriamente São Paulo podem muito bem ser apenas uma versão "lite" e "original" do mesmo produto de cidade grande. Tudo menos atenuado. Os pulmões mais fumentados e as ruas mais movimentadas. Mais vidas mas menos flores no tronco aonde todos os galhos passam para se nutriz da raiz. Mas ainda me sinto estrangeiro nessa terra aonde os contrastes das vidas dos de concreto e de Rolex se passam na mesma rua - ou talvez seja isso a herança do Brasil pós-COVID, mas de qualquer forma, os efeitos são o mesmo.

    Me conturba a mesma rua habitarem na mesma rua cobertores e roupas de luxo, mas com qual a minha vida se parece mais no final de contas? Vale de algo a mais ter a consciência do olhar humano de um sofrimento desumano? Escrevo isso por dó de mim ou por me importar com o que descrevo? Um desejo altruísta ou uma afirmação de estima egoísta?

    Eu poderia dissertar mais, colocar alguma paixão e esperança no futuro nesse texto pra conseguir concluir algo disso. Fingir que me inspiraria a revolucionar o mundo para mudar essa paisagem de vez, de que meus sonhos são diferentes em suas intenções de bondade. Embelezar a minha pessoa e meu caráter das boas ações que eu fiz para esses meros bobinhos da rua. Mas é deprimente escrever isso no conforto da minha casa e cama, escrevendo situações que sou um mero observador. 

    Que por mais que eu tenha contribuído com algo, mesmo que não necessariamente financeiro, mas por querer tentar interagir como se estivesse falando com um ser humano e não um coitado ou marginal. Recebendo respostas humanas as minhas sinceridades - ou pelo menos acho ser sinceras -  que mais vezes que não, não vai ajudar essa pessoa com um saco de arroz ou feijão. 

    E assim acaba meu dia, escrevendo sobre pessoas que dormem em uma noite fria, só não mais fria do que os passos que passam ao lado de suas cabeças. E eu, que não sou muito diferente desses passos, mas com a diferença que venho em meu computador com luz, água, comida, internet, roupas confortáveis, num meio de comunicação que nem teriam a possibilidade de ler para me dizerem se isto é de alguma forma diferente de uma pornografia da pobreza. 

    Não acho que me agrada saber que não sou o único que vive com isso na mente, mas pelo menos é sincero, se vale de algo não sei, mas pelo menos entra mais na parte do purgatório do que da aventura

    

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