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Destaques

Complexo de Interlúdio

  Olhas no meu rosto como fostes a partitura de um projeto vil. Contando em todas as pétalas do desejo o que te faz viril. Faz de seu pós o eterno pós, a mudança dos horizontes o pesadelo vivo Enganas a si e somente a si das virtudes injustiçadas pelo momento. Orando todo dia para não ser feito leito das areias Enquanto anseia a próxima vez que seus olhos torne-se musa de mascaras.   Vivo eu cá, a adornar o roteiro flácido de sua jornada como perdido. Lembro-me do teu nome para não esqueceres dele. Narro te como uma mãe que reza perante ao túmulo de seu filho Para poder acordar vendo-o salvar o mundo.   Contudo, apenas é como eu me visto, meu Sebastião. Quem dera fosse eu Satanás, meu cristo Largava-te a menor das satisfações Com paciência de perna curta.   Aprendi que te amo a puro olhos de cria Cria essa que nunca se apegou ao mundo. Olhando seu criador aos poucos ser defunto Desejando mais do que magia de família.   Então, me perdoe meu amado Pois meu veleiro...

Mini Ensaio sobre originalidade e clichê

     O que ousa ser um texto se não uma captura de emoções e pensamentos moldados e corrompidos pela letra? É bem superficialmente banal falar do que parece ser algo inovador do pensamento pra sempre cair tão clichê, mas nem todo clichê nasce do mesmo berço.

    Simplicidade também é profunda, e toda repetição tem suas diferenças mesmo sendo cópias, pois apenas são cópias porque desconsideramos até certo ponto suas diferenças para determiná-las como cópias de outras, porque sempre é o desejo que dita as maquinas, não é?

     Matar a tentativa por rimar com o antigo é como dizer que a história sempre se reflete. Mata qualquer tentativa de abstração que leva a interação de eu e tu como humanos à morte prematura do mais provável, do "se parece, logo é": respiro como tu logo sou tu, respirei como tu então respirarei como tu.

    Demandar o bom do pensamento é afirmar que ele nunca pode ser bom. Eu gosto bastante de deixar definições do criativo em meu vocabulário sempre em aberto, porque não acho que deve ser a função de eu como ser social não cabe a minha função de delimitar algo tão pessoal como arte.

    Arte não tem que ser bom, a expressão não tem que ser considerada relevante, ela é por ser o que é. Por carregar o que a pessoa é, o que foi, o que vive e pensa, não vejo ninguém que possa ter esse poder de delimitar essa tentativa como "não arte".

    Diluí o termo? Claro! mas esse é o ponto. A aprovação de uma arte é apenas um adendo a criação dela própria, ainda vai calhar de eu não gostar, odiar, achar que poderia ser melhor, que talvez nunca deveria ter sido, mas a arte vem muito mais do que levou a ser do que é. 

    Uma tentativa propositalmente porca expressa muito mais sentimento do sentimento de talvez revolta, talvez descaso e desacato com o propósito do objeto, e isso importa muito mais do que a porquice que resultou, pelo menos o que em fúria posso ver como porquice. Não existe uma régua que meça quantos livros nascidos como desgraçados como O Processo e Moby Dick, quantos que ainda vão de existir, e quantos que nunca tiveram nome e muito menos lápide.

    O medo de ser ruim para outros pode levar a melhora, mas eu prefiro outros caminhos, num cabe na minha dialética a perfeição do que escribo

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