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Destaques

Lançado ao mar

     A noite estava sóbria, embora não fosse essa a sensação que se traduzia a carne seca. Enquanto a mente do nosso rei perambulava aos mais extensos fins da consciência, buscando um temerário fim a seus pensamentos, brisava em seu arredor o temerário momento que lá ocorreu, embora perdesse a ideia de espaço a muito tempo atrás.     Pouco refletiu  em sua frenesi materializada que agora era realidade os motivos que o levaram a esse abismo, achava que ao voltar teria o tempo para enfrentar os milhares de corpos que proferiram as maiores bênçãos e maldições que podia imaginar.      Mas não, o ao redor deu lhe em suas veias uma súbita familiaridade, pela vegetação seca da vida ainda ressentia o ar ferroso de batalhas folclóricas recitada por loucos vendados pela rua, profetizando o apocalíptico fim do prefeito tirano que retirou seu barril de residência.     O sangramento azul contornava os passos largos e abatidos de Sebastião enquan...

Mini Ensaio sobre originalidade e clichê

     O que ousa ser um texto se não uma captura de emoções e pensamentos moldados e corrompidos pela letra? É bem superficialmente banal falar do que parece ser algo inovador do pensamento pra sempre cair tão clichê, mas nem todo clichê nasce do mesmo berço.

    Simplicidade também é profunda, e toda repetição tem suas diferenças mesmo sendo cópias, pois apenas são cópias porque desconsideramos até certo ponto suas diferenças para determiná-las como cópias de outras, porque sempre é o desejo que dita as maquinas, não é?

     Matar a tentativa por rimar com o antigo é como dizer que a história sempre se reflete. Mata qualquer tentativa de abstração que leva a interação de eu e tu como humanos à morte prematura do mais provável, do "se parece, logo é": respiro como tu logo sou tu, respirei como tu então respirarei como tu.

    Demandar o bom do pensamento é afirmar que ele nunca pode ser bom. Eu gosto bastante de deixar definições do criativo em meu vocabulário sempre em aberto, porque não acho que deve ser a função de eu como ser social não cabe a minha função de delimitar algo tão pessoal como arte.

    Arte não tem que ser bom, a expressão não tem que ser considerada relevante, ela é por ser o que é. Por carregar o que a pessoa é, o que foi, o que vive e pensa, não vejo ninguém que possa ter esse poder de delimitar essa tentativa como "não arte".

    Diluí o termo? Claro! mas esse é o ponto. A aprovação de uma arte é apenas um adendo a criação dela própria, ainda vai calhar de eu não gostar, odiar, achar que poderia ser melhor, que talvez nunca deveria ter sido, mas a arte vem muito mais do que levou a ser do que é. 

    Uma tentativa propositalmente porca expressa muito mais sentimento do sentimento de talvez revolta, talvez descaso e desacato com o propósito do objeto, e isso importa muito mais do que a porquice que resultou, pelo menos o que em fúria posso ver como porquice. Não existe uma régua que meça quantos livros nascidos como desgraçados como O Processo e Moby Dick, quantos que ainda vão de existir, e quantos que nunca tiveram nome e muito menos lápide.

    O medo de ser ruim para outros pode levar a melhora, mas eu prefiro outros caminhos, num cabe na minha dialética a perfeição do que escribo

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