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Destaques

Onde está o Nilo?

       Porque ainda tenta escalar as areias do deserto? Sabes muito bem da paisagem que te aguarda. Não, não muito bem, mas bem o suficiente.      Sempre familiar o suficiente pra sustentar esquecimento, sempre diferente o suficiente para despertar o desconforto do desconhecido. Mas, é o desconhecido? Quantas moedas jogou para decidir qual lado vai, não lembra de onde veio a iniciativa? o deserto também esqueceu, ou será que ao menos tentou lembrar?      Por quatro linhas você pensa em chegar em algo, mas nessas quatros linhas não sabes aonde na linha você se encaixa. Coloque o dobro, o dobro do dobro disso, e não muda o diagnóstico da paisagem, nunca igual, nunca diferente, sempre outro monstro ao acordar.      Monstro não, não sei se cabe a definição de vida ao que te acorda com os olhos despedaçados e não sabendo se viu Jesus, o Diabo, ou uma paisagem. Ela é tão indiferente a você, mas ao mesmo tempo tão inconsequente a...

Mini Ensaio sobre originalidade e clichê

     O que ousa ser um texto se não uma captura de emoções e pensamentos moldados e corrompidos pela letra? É bem superficialmente banal falar do que parece ser algo inovador do pensamento pra sempre cair tão clichê, mas nem todo clichê nasce do mesmo berço.

    Simplicidade também é profunda, e toda repetição tem suas diferenças mesmo sendo cópias, pois apenas são cópias porque desconsideramos até certo ponto suas diferenças para determiná-las como cópias de outras, porque sempre é o desejo que dita as maquinas, não é?

     Matar a tentativa por rimar com o antigo é como dizer que a história sempre se reflete. Mata qualquer tentativa de abstração que leva a interação de eu e tu como humanos à morte prematura do mais provável, do "se parece, logo é": respiro como tu logo sou tu, respirei como tu então respirarei como tu.

    Demandar o bom do pensamento é afirmar que ele nunca pode ser bom. Eu gosto bastante de deixar definições do criativo em meu vocabulário sempre em aberto, porque não acho que deve ser a função de eu como ser social não cabe a minha função de delimitar algo tão pessoal como arte.

    Arte não tem que ser bom, a expressão não tem que ser considerada relevante, ela é por ser o que é. Por carregar o que a pessoa é, o que foi, o que vive e pensa, não vejo ninguém que possa ter esse poder de delimitar essa tentativa como "não arte".

    Diluí o termo? Claro! mas esse é o ponto. A aprovação de uma arte é apenas um adendo a criação dela própria, ainda vai calhar de eu não gostar, odiar, achar que poderia ser melhor, que talvez nunca deveria ter sido, mas a arte vem muito mais do que levou a ser do que é. 

    Uma tentativa propositalmente porca expressa muito mais sentimento do sentimento de talvez revolta, talvez descaso e desacato com o propósito do objeto, e isso importa muito mais do que a porquice que resultou, pelo menos o que em fúria posso ver como porquice. Não existe uma régua que meça quantos livros nascidos como desgraçados como O Processo e Moby Dick, quantos que ainda vão de existir, e quantos que nunca tiveram nome e muito menos lápide.

    O medo de ser ruim para outros pode levar a melhora, mas eu prefiro outros caminhos, num cabe na minha dialética a perfeição do que escribo

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