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Destaques

Análise Dom Casmurro - Parte 2 que nem eu ou você esperava

       Eu tenho um leve problema quando eu fui querer criar a primeira parte dessa análise - que foi assumir que eu tava falando de um livro só.      O Livro  de  Dom Casmurro é uma história efetivamente universal e transcendente de períodos históricos por sua natureza inerentemente crua, crua ao nível de ser um manuscrito que se desconhece como começou quando termina.      A evolução do autor Dom Casmurro de um leve vulto de nostalgia até uma confissão dos mais profundos segredos de Bento que o definiram como Dom Casmurro é digna de ser lida como muita coisa por muitas boas razões.      Por outro lado, e era o que eu justamente tinha mais a cabeça, era o Dom Casmurro de Machado de Assis. Machado esse que foi a mudar sua escrita ao realismo apenas aos 40 anos de seus quase 70 anos de vida      E, embora a crítica burguesa de Machado de Assis seja bem interessante, para mim que nasceu mais de um séc...

Colchão do fundo do poço

        Eu sempre fui dar mais valor - ou pelo menos achar que tem mais valor - por ela ter um olhar negativo, pessimista. Não de que o contrário seja verdade, ou de que ter preferência ao trágico seja trágico por si só. Mas, pelo menos pra mim, acho que é muito mais um apego pra adequar o que se vê ao que se sente, justificado por um "elitismo intelectual"

    Nada mais chamativo ao depressivo achar-se absolvido de culpa por uma consequência da sociedade aonde ele nada tem como agir contra, matando qualquer culpa e qualquer sonho a fim de normalizar uma dor.

    Uma caricatura do que em essência somos - e sempre seremos - em podridão, podridão essa destinada a ser o fim por cantos de seu nascimento. Muito mais chamativo e de aparência "fora do comum" do que contar sobre ingenuidade, risos e o cotidiano mundano que é visto como simplório.

     Então assim que eu vivi por um bom tempo, não acho que não tenha sido inútil ou até mesmo ruim, mas querer viver só assim é querer viver como um espelho que reflete o pior dos outros - ele nunca tem motivo pra querer ver o melhor e muita menos vontade de querer colocar essa lente a si mesmo.

    A consequência natural de ver tudo "realisticamente" é a apatia em relação ao futuro, a necessidade de justificar o otimismo em uma batalha aonde ele vive destinado a perder - porque nem tudo é racionável, e acho que poucas obras conseguem exemplificar isso melhor do que Tudo é Rio de Carla Madeira.

     Eu não sabia como reagir a conclusão. Mas, em retrospectiva não é de propósito de eu como leitor querer julgar a decisão do perdão, decisão esta que vem muito mais do que uma resposta lógica de sim ou não. 

    Demanda muito mais de um afeto que é incongruente do homem ou de um deus querer decidir sua formula, indo muito além de qualquer pressuposto de bem ou mal ou formação de leis que regem a malevolência da humanidade. Por mais que isso doesse mais pra mim quando aos meus olhos apenas existia tragédia, acho difícil querer continuar nessa linha quando eu estou muito mais no rumo de "como eu quero viver" do que "posso viver feliz?" ou "eu quero viver?".

     

     

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