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Destaques

Definhando em violetas

     Tivesse eu a chance de me arrepender, me arrependeria de muita coisa, mas não realizaria nenhum desses arrependimentos.      Pois em perrengues que me vinham que geravam outros perrengues que me fizeram um eremita obrigatório para a ironia divina me fazer descascá-los monte abaixo privilegiada aos olhos de deus numa casa de aquisição minha.      Pelas antiguidades dos corpos que moravam aqui me encontro e me ponho entre as fendas decadentes para não ser só meu, vendo os gritos que nunca tive desmoldarem entre as muvucas da existência que me afastam de entendê-la, tangendo em cinco linhas procurando humanas serem e de todas elas eu ser.      As redondezas de Decapitã não são assim entretanto. Pelas pontilhadas figuras que dão vida ao horizonte inundado de nuvens, vivendo coisas que mal lembro de serem, mas em seus movimentos alimentam o medo que tenho do meu filho.      Pela história de ser alguém me perdi pe...

Colina das Pinhas

     Longe dos mares e das planícies, cercada de pinhas e pinheiros, vivia uma raposa. Com seu singelo olhar ao topo da colina., Porque pinhas não são nada e nunca coube razão a dizer ao contrário.

    As pinhas são malditas! Sangram e me fazem sangrara todo momento e nem servem para falar um único "A". Contudo, nem o eco respondeu, não tinha voz a gritar e nem amigo para bajular sua incessante teimosia, apenas a colina respondia a sua algoz.

     Existia lá, todo dia e toda noite, uma coreografia de como tudo tinha que ser. Fontes e música, sorrisos e família, tudo que a raposa queria, e nem o prazer de sonhar apenas de noite permitiria-se a ter, porque lá é onde a normalidade grita na paisagem oblíqua demais para sua forma.

    Mas, como há de ser esperado, ela já tentou subir a colina, tentou alcançar as vozes que subiam de cima que estragavam todo romance que incluía ela, porque nem se quer tinha coragem de imaginar toda a multidão de sentimentalismo que provocava essas histórias. Histórias que nunca cabiam a ela por causa do molde, molde esse injusto com sua natureza.

    Maquiavélica, fria, sem riso a dar e nem olhar para receber, apenas olhos cortados de pinha que nunca satisfaziam os delírios da colina que a abusava com o normal do suposto normal, nunca com consciência, mas sempre ferindo a consciência.

     Não teve pinha que serviu de andar, não teve pinheiro que substituiu a vista da colina, mas tem pinho e pinheiro.  "Se a vida te der pinheiros, faça uma pinharada" ela raciocinou, mas não desse modo a base de mármore e muita pose , ou de muita mármore e muita pedra em cima de relevo, ou talvez de todos esses modos.

    Afirmar a intenção da pinharada seria dar crédito a um raciocínio que cria um movimento, mas quase sempre o movimento tem que olhar para trás para dizer: Porque eu movi? A pinha ligou a unha para se tornar um rosto, non sequitur  é a letra morta.

    No momento foi bem estúpida a reação, os sonhos agora definitivamente eram pesadelos, e a colina também. Mas, na pŕoxima noite foi um pouco menos. E assim, com pinhas e pinhas ela fez seu pinhasco, que fez da colina ainda mais do que nítida

    Seu pinharal não deixou a colina menos apelativa a seu desejo. Não tem pinha que apague o fogo do sonho da aceitação dos além da vista, mas com pinhas se faz uma fogueira bem mais legal, mais diferentona e mais sincera.

     

     

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