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Destaques

Análise Dom Casmurro - Parte 2 que nem eu ou você esperava

       Eu tenho um leve problema quando eu fui querer criar a primeira parte dessa análise - que foi assumir que eu tava falando de um livro só.      O Livro  de  Dom Casmurro é uma história efetivamente universal e transcendente de períodos históricos por sua natureza inerentemente crua, crua ao nível de ser um manuscrito que se desconhece como começou quando termina.      A evolução do autor Dom Casmurro de um leve vulto de nostalgia até uma confissão dos mais profundos segredos de Bento que o definiram como Dom Casmurro é digna de ser lida como muita coisa por muitas boas razões.      Por outro lado, e era o que eu justamente tinha mais a cabeça, era o Dom Casmurro de Machado de Assis. Machado esse que foi a mudar sua escrita ao realismo apenas aos 40 anos de seus quase 70 anos de vida      E, embora a crítica burguesa de Machado de Assis seja bem interessante, para mim que nasceu mais de um séc...

Colina das Pinhas

     Longe dos mares e das planícies, cercada de pinhas e pinheiros, vivia uma raposa. Com seu singelo olhar ao topo da colina., Porque pinhas não são nada e nunca coube razão a dizer ao contrário.

    As pinhas são malditas! Sangram e me fazem sangrara todo momento e nem servem para falar um único "A". Contudo, nem o eco respondeu, não tinha voz a gritar e nem amigo para bajular sua incessante teimosia, apenas a colina respondia a sua algoz.

     Existia lá, todo dia e toda noite, uma coreografia de como tudo tinha que ser. Fontes e música, sorrisos e família, tudo que a raposa queria, e nem o prazer de sonhar apenas de noite permitiria-se a ter, porque lá é onde a normalidade grita na paisagem oblíqua demais para sua forma.

    Mas, como há de ser esperado, ela já tentou subir a colina, tentou alcançar as vozes que subiam de cima que estragavam todo romance que incluía ela, porque nem se quer tinha coragem de imaginar toda a multidão de sentimentalismo que provocava essas histórias. Histórias que nunca cabiam a ela por causa do molde, molde esse injusto com sua natureza.

    Maquiavélica, fria, sem riso a dar e nem olhar para receber, apenas olhos cortados de pinha que nunca satisfaziam os delírios da colina que a abusava com o normal do suposto normal, nunca com consciência, mas sempre ferindo a consciência.

     Não teve pinha que serviu de andar, não teve pinheiro que substituiu a vista da colina, mas tem pinho e pinheiro.  "Se a vida te der pinheiros, faça uma pinharada" ela raciocinou, mas não desse modo a base de mármore e muita pose , ou de muita mármore e muita pedra em cima de relevo, ou talvez de todos esses modos.

    Afirmar a intenção da pinharada seria dar crédito a um raciocínio que cria um movimento, mas quase sempre o movimento tem que olhar para trás para dizer: Porque eu movi? A pinha ligou a unha para se tornar um rosto, non sequitur  é a letra morta.

    No momento foi bem estúpida a reação, os sonhos agora definitivamente eram pesadelos, e a colina também. Mas, na pŕoxima noite foi um pouco menos. E assim, com pinhas e pinhas ela fez seu pinhasco, que fez da colina ainda mais do que nítida

    Seu pinharal não deixou a colina menos apelativa a seu desejo. Não tem pinha que apague o fogo do sonho da aceitação dos além da vista, mas com pinhas se faz uma fogueira bem mais legal, mais diferentona e mais sincera.

     

     

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