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Destaques

CHOCANTE: JORNAL IMPRESSO AINDA EXISTE?

     Uma das escolhas de hábitos menos "modernas" que eu estou a acho que uns 5 meses é o - vivo e morto material real cortado de árvore - chamado "Jornal Impresso", que a reação de algumas pessoas ao não saberem que ainda criam essas belezuras cafonas (e empresas específicas para a entrega desses papéis que, aos olhos contemporâneos, são equivalente a peças de museus)      Não minto que meu começo nessa trajetória veio muito mais pelo impulsivo ódio de hyperlinks de jornais que me pedem para pagar uma assinatura que, em minha derrocada moral, sucumbi ao nível de - além de pagar para tirar essa paywall - fui pagar pela a imprensa enviesada a ser falsiane (pela assinatura impressa mais barata que tinha)!!!       Ainda hoje tenho alguns mistérios dessas 40 e alguma coisas páginas que eu recebo na porta da minha casa toda semana, como por exemplo:      - Tem Jornal que fede mais (ou é o tapete pisoteado das mais nojentas va...

Em lance à mar

         Quando cheguei de mar a mar, nunca imaginei que meu trabalho, e a vida que levei junto com ele, fosse recheada de tesouros dignas de estarem em Iliadas, Lusíadas ou Brazilias. A maior das glórias contratualmente obrigadas que a mim foram garantidas é a "responsabilidade da carga e possessões do Reino sob minha jurisdição"
    Jurisdição essa que menos se resume a gritar com mouros cujas qualificações derivaram da clarividência do desembargador em tentar descobrir traços de Deus em um corpo de Alah pela decência de "sangue azul"
    Contudo, chega de mim e desses mouriscos! Não custeio de forma efêmera o meu tempo e contos. Pareço turvo ao que estou prestes a dizer, mas creio que achei um individuo merecedor de meu respeito escrito, mesmo que sua aparência seja das mais questionáveis. 
    Muito difícil é encontrar viajantes do Saara sozinhos, suspeito eu de que os mercantes silenciosos utilizam de alguma bruxaria para sustentar toda a podridão carregada pelos vultos de loucura que sustentam a existência do deserto. Por isso, quando veio me uma figura ao horizonte dediquei-lhe toda atenção
    Cornetas e trombetas permutavam em corais de cactos, de longe aparentava ser um ancião. Batuques arranhavam meus ossos. Cerrando os olhos virava um dos monstros de folclore negroide. Abrindo-os por inteiro me cegava a moldes de um imperador de todas as dunas.
    Pelo menos assim que meus olhos disseram, cerrei até demais a vista e vi um peregrino mais decadente que meu avô a um pé de embarcar para Portugal. Os mares, fortes e barcos tem outras interpretações para aqueles que tem o desejo de escapar do sofrimento de falta de escolha.
    Dormes como nobre para acordar degradado ao Brasil, e meu avô pareceu sempre imerso nesse sonho, mesmo que a terra que ele se absorveu fosse tudo mais do que o sangue azul fosse o dar. Mas, mesmo assim, a dor do degredo é de ter o espírito deslocado contra o seu favor, alimentado ainda mais pelo seu orgulho do antes que era tudo comparado ao agora vazio.
    Bom, acho que não é necessário dizer que o enterro foi uma ironia que o fez dormir para sempre no pesadelo. Não teve defunto a admirar e chorar mas eu imaginei o rosto patético dele encoberto de glorias que satisfaziam a todos menos ele.
    Esse mesmo rosto facultativo se transpôs ao homem desabar ao chão, gemendo murmúrios e loucuras. E, como fiz de meu avô até seu leito, pus com força o humano sobre objeto e deixei o deleitar em minha cama, dando-me contos a contar.

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