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Destaques

Irresolutos adeuses de lá

          Sei que riria bastante quando visse o seu túmulo com grandes iniciais e interrogações incertas de seu lugar, mas bem que poderia ter sido mais considerativo com o coração de seu melhor amigo.    Espero que tenha pensado na  melancolia latente que sua ausência foi criando em todo mundo, as incertezas diárias que emolduravam a sua falta e, embora tentássemos escondê-la no nosso dia dia, escapuliam aos ares e tirava-nos o fôlego.      Até que um dia, dos dias lá de trás, decidimos colocá-lo a sete palmos na terra e levá-lo a outro mundo. Eu não fui naquele dia, por mais que até o último minuto minha mãe queria me arrastar até ver "você" indo embora.      Espero que não se sinta mal por isso, não sei o que me deu quando a sua partida pareceu um pouco mais indeterminada do que todo mundo achava, tive medo de sentir que talvez não estivesse tão são e salvo ou tão em pé, por isso que me dei ao máximo de viver ...

Onde está o Nilo?

     Porque ainda tenta escalar as areias do deserto? Sabes muito bem da paisagem que te aguarda. Não, não muito bem, mas bem o suficiente.

    Sempre familiar o suficiente pra sustentar esquecimento, sempre diferente o suficiente para despertar o desconforto do desconhecido. Mas, é o desconhecido? Quantas moedas jogou para decidir qual lado vai, não lembra de onde veio a iniciativa? o deserto também esqueceu, ou será que ao menos tentou lembrar?

    Por quatro linhas você pensa em chegar em algo, mas nessas quatros linhas não sabes aonde na linha você se encaixa. Coloque o dobro, o dobro do dobro disso, e não muda o diagnóstico da paisagem, nunca igual, nunca diferente, sempre outro monstro ao acordar.

    Monstro não, não sei se cabe a definição de vida ao que te acorda com os olhos despedaçados e não sabendo se viu Jesus, o Diabo, ou uma paisagem. Ela é tão indiferente a você, mas ao mesmo tempo tão inconsequente a suas ações.

    Não importa os vendavais que você prega que mudaram, o novo dia sempre os apaga, os vendavais nunca estão contigo. Aonde está sua mente na contagens dos dias? Eu nem sei mais, não é como se o tempo me delimitasse a alguma memória.

    Memórias que você existe em boiar nelas Sebastião. No momento que perdestes a razão de porque não morres devias ter entendido que o passado só condena. Ainda suscitas como à cavalo rodeastes Portugal sem ao menos necessitar de ninguém contigo, como se fosse ligação tua a terra que te guiou.

    Falhas em compreender que não tens Cavalo a terra ou mesmo terra a ti. Porque ainda queres tentar admitir os perigos de fora de seu mundinho como uma extensão de seu terreiro? Não tem título de nobreza que faça seus ossos pararem de definhar, ou a areia sair de seus sonhos porque já vives o pesadelo. 

    Por isso te aguardo enquanto espero que abre os olhos para o que eu te digo.